terça-feira, 4 de setembro de 2007

Espelho, espelho meu! Existe alguém mais belo do que eu?


Deambulava na rede, após ter deixado a Alice à mercê da Rainha de Copas e suas concubinas e, das minhas conversas, com o Chapeleiro Louco dadas por findas, as quais outrora quase intermináveis e sem relógio, estava convicto que encontraria o coelho correndo e saltitando por entre os comuns mortais atordoados no meio de um qualquer festival no meio da planície alentejana. Mas qual não é o meu espanto que semelhante personagem se viu ao espelho e acordou. Pensou: --Eu não sou mais estes— referindo-se aos três personagens da história que no fundo se fundiam num só. Eu afinal sou um animal social que manifesta a sua natureza quando se sente em equilíbrio com o meio. Mais importante do que o auto-conceito será qual o impacto e em que se traduz a minha existência como pessoa. Não serve de muito pensarmos que somos pessoas tipo A, B ou C, se na realidade o que fica “registado” são os resultados das nossas acções. Resumindo, concluindo e baralhando... (Eu = acções + atitudes + comportamentos)
E não é que, ía ali a passar e pareceu-me vislumbrar um reflexo do Coelho Branco no meu espelho novo, cruzar-se com aquele senhor que diz umas coisas, tais como: "Eu penso, logo existo." O Coelho estancou e deixou caír o relógio de espanto e exclama: -Mas não era: Eu penso, logo sou!?
Nisto o Coelho ouve uma voz. Era o Chapeleiro Louco que o chamava: -Coelho Branco! Coelho Branco! E o Coelho decide ir ao encontro do Chapeleiro Louco. O Chapeleiro Louco pergunta: -Então Coelho Branco que te aconteceu? O Coelho Branco responde: -Sabes lá. Bati ali com a cabeça num pensamento que veio contra mim e parti o relógio. Já não sei às quantas ando. O Chapeleiro Louco admirado por o Coelho não andar aos saltos, convida: -Anda daí tomar um chá que isso acalma-te. E lá foram. Enquanto bebiam o chá, ouvem uma voz: -Onde está a Alice? E olham em redor e lá estava o sorriso do gato que ri pendurado na árvore. E Perguntaram-se: -Realmente onde está a Alice? Já tinham saudades de falar com ela. E decidiram ir procurá-la.
Depois de muitas voltas pela floresta. Lá ouvem uns suspiros. Aproximam-se de soslaio por trás de uns arbustos e vêem a Alice nas mãos da Raínha de Copas que lhe tilitava os prazeres. A Alice entre gemidos e tremores, muitos tremores de vez em quando ainda conseguia enviar uma sms ora à V ora à C ora à X. Nisto o Coelho Branco começa a esfregar os olhos e pergunta ao Chapeleiro Louco se estaria a ver bem. E diz: -Oh Chapeleiro Louco mas parece que o nariz lhe cresce... O Chapeleiro Louco esfregando também os olhos acrescenta: -Tens razão! Parece o... Parece o Pinóquio. Nisto ouve-se a risada do Gato Que Ri ecoar pela floresta. Mas oh Chapeleiro Louco que meteste tu no chá?
Depois de mais um cházinho o Chapeleiro Louco e o Coelho passeavam novamente pela floresta. Nisto ouviram um choro e um lamento. Aproximaram-se e deparam com o Pinóquio que deambulava com o seu enorme nariz por entre as árvores. Elas protestavam imenso pois o seu nariz batia nos seus ramos sensíveis. Mas ele pouco se importava se as magoava. De repente surge uma clareira e um lindo lago. O pinóquio acalma-se e aproxima-se para contemplar a sua imagem e por momentos até se deslumbra com sua beleza. Acaricia os músculos e o corpo e, penteia as pestanas. O seu olhar brilha de espanto ao mirar-se. Dir-se-ía enamorado. O Coelho e o Chapeleiro Louco entreolham-se espantados. E o Coelho sussura para o Chapeleiro Louco: - Oh também deste do teu chá ao Pinóquio? Mas qual Pinóquio? -Retorquiu o Chapeleiro Louco- É o Narciso. O Narciso! Tu não percebes nada de mitologia! O Chapeleiro Louco além de algo espalhafatoso era muito crítico e não compreendia muito bem quando as outras pessoas não sabiam ou viam o mesmo que ele. E algo irritado, falando mais alto, diz: É o Narciso! Garanto-te que é o Narciso! Nisto o próprio Narciso ao ouvir isto, pareceu desencantar-se com a sua imagem e diz: -Mas eu só queria ser um menino de verdade. Humano, sensível e até com emoções e consciência. E assim surge o Grilo Falante que lhe salta para o ombro e lhe sussura ao ouvido: -Atira-te! Atira-te! E o Narciso atirou-se ao lago e desapareceram os quatro.

segunda-feira, 19 de março de 2007

Cotação da amizade

Pois é, 2006 foi um ano de crescimento e desavenças incomparáveis. 2007 não se está a ficar atrás em termos de surpresas... Mas aprendi que afinal a amizade por vezes tem um preço, e esse preço é muito variável: para alguns 250€, para outros 375€, para outros 35€, para outros 30 minutos, para outros um favor e enfim para outros, nada. Para alguns amigos vale o abraço sincero. Contento-me com esses. Espero que não tenha de pagar alguma taxa suplementar de IRS por isso, pois desconfio que se tornará artigo de luxo em breve.

terça-feira, 6 de março de 2007

O País da Vontade


Moreno, franzino, indolente, este menino de nove anos parecia andar distante de todas as vibrações. Pegou num livro e abandonou-o sem o abrir. Colheu uma flor e deixou-a sem a cheirar. Quis passear e arrependeu-se.
_Não tenho nada que fazer, nem me apetece fazer nada- disse por fim a olhar o céu.
Nisto uma figura apareceu ao pé dele: _Acabo de ouvir uma coisa extraordinária: um menino a dizer que não lhe apetece fazer nada, nem tem nada que fazer?
_ Se é verdade, não deves surpreender-te...
_Não devo surpreender-me? E se eu te pedir que venhas comigo até ao país da vontade?
_Irei se for aqui perto.- respondeu o menino.
Desceram ambos ao pomar.
_Chegámos! É este o país da vontade.
O menino de olhos abertos, não compreendia e chegou a pensar que o seu pai endoidecera. Repara meu filho, neste botão de laranjeira. Este botão quer ser flor; depois a flor quer ser fruto. Neste país tudo tem uma vontade; tudo, neste silêncio do dia tem o propósito fundo de ser mais e ir mais além.Como a tarde quer ser noite de estrelas, e a noite madrugada gloriosa a chamar o homem para a luta. Assim, tudo aspira a progredir: nascer, evoluir, ampliar-se: viver!

A Pinheiro (meu pai em 09 dez 78)

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Things You Said



It's all to live you say
It's all to live you say
So hold until tomorrow
There's love inside
So hold until tomorrow
than you'll see why
There's nothing to hide
There's nothing to hide
Believe in yourself
You got to stop running
Said thing you denny
Sad thing you and I
Hold it back
We got to start somewhere
On a shame's ocean
Lost in the tide
I wanna swim to you
So why must you denny
That you wanna sail with me
It's all to live you say
It's all to live you say

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Life is not a spectators sport



A vida não permite ensaios. Não há segunda chance. Tudo o que fazemos permanece marcado em nós, e muitas vezes o que não fazemos também. Nos outros com quem nos relacionamos também deixamos marcas e influenciamos as suas vidas. Muitas vezes, fazemos o que achamos que é certo, fazemos o que nos é mais conveniente e nunca temos a coragem de fazer-mos o que realmente sentimos.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

size does matter?

Afinal os meus pais talvez tenham falhado em alguma coisa: não fui preparado para viver num mundo de injustiça, mentira, ódios e invejas, de chegas p'ra lá e sou melhor que tu, mais grande, enorme: _Oh p'ra mim cá em cima. Grita o animal que se diz pessoa do alto do seu pedestal auto-construído, auto-implantado. Quando afinal somos apenas meros seres infinitesimais : todos do mesmo tamanho e feitos da mesma matéria interstelar.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Síndroma de SPAC


Há pessoas que não conseguem ter amigos ou amigas. Ou porque nunca partilham verdadeiramente nada além da sua elaborada imagem que convem mostrar aquela pessoa, ou porque mentem muito e se autoconvencem das próprias não verdades ou porque acabam sempre por sofrer do síndroma de SPAC (saltar para a cueca). Há sempre ali uma potencial vítima em qualquer amizade que surja.

SPAC tm by MEC

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

O Parolismo


O parolismo é directamente proporcional ao número de engates básicos: vivam as hormonas ditatoriais e os seus escravos! Em alguns casos é galopante, noutros consistente e persistente e, noutros estados evolutivos torna-se recessivo. Nos estados mais primitivos, torna-se lema de vida.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

A bela Benzodiazepina e a Ansiedade


A imaturidade é muitas vezes responsável pela falta de capacidade para lidar com a ansiedade. Muita gente continua a não conseguir exteriorizar a ansiedade através das emoções, chorando ou libertando-a por exemplo através da dança. Quando digo dança digo dança livre sem qualquer outro intuito que não o de nos sentirmos livres. Dança sem regras e movimentos pré-estudados, sem ensaios, sem exibicionismos... Quem não consegue gerir a ansiedade normalmente acaba por magoar as pessoas à volta de forma violenta e agressiva, sob a forma verbal ou física.

domingo, 26 de novembro de 2006

Corned Beef e a cotação da alma humana


Parece que, quanto mais "civilizados" nos tornamos mais afastados estamos do humano. Há até quem considere os outros seres humanos como meros pedaços de carne. Não percebendo que ao tomar os outros como carne se está aumaticamente a considerar a si mesmo como carne em promoção. Aí vem à tona a ancestralidade do homem de caçador e colector. Há quem queira ser caçador de troféus julgando que isso o torna maior e mais grandioso e mais admirado, nem que seja por si mesmo e pelo seu ego diminuto. Há quem viva desprovido de emoções e se remeta ao instintos básicos comuns, chegando até ao desespero de ir com a gaja da portaria ou outra presa fácil, buscando-se na superficialidade dos sentidos. Há um afastamento do ser e do sentir. Por isso, há quem prefira viver uma vida inteira neste género de entorpecimento. Vivendo de ilusão em ilusão, negligenciando a sua essência. Diria até que se o Sócrates fosse vivo reformularia a sua frase para: "I FAKE, THEREFORE I AM!"

E assim vai a cotação da alma humana...