terça-feira, 25 de março de 2008
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
PUSSY CAT, PUSSY CAT DON'T WALK AWAY THERE'S NO TURNING BACK

Maturidade é a habilidade de controlar a ira e resolver as discrepâncias sem violência ou destruição.
Maturidade é paciência. É a vontade de prescindir do prazer imediato em favor de um benefício a longo prazo.
Maturidade é perseverança; é a habilidade de levar um projecto ou uma situação adiante, apesar de forte oposição e retrocessos decepcionantes.
Maturidade é a capacidade de encarar desgostos e frustrações e derrotas sem queixa nem abatimento.
Maturidade é humildade; é ser suficientemente grande para dizer: "eu estava errado"; e, quando está correcta, a pessoa madura não necessita experimentar a satisfação de dizer: "eu bem te disse".
Maturidade é a capacidade de tomar uma decisão e mantê-la; os imaturos passam suas vidas explorando possibilidades, para, no fim, nada fazerem.
Maturidade significa confiabilidade: manter a própria palavra, superar a crise; os imaturos são os mestres da desculpa, são confusos e desorganizados; suas vidas são uma mistura de promessas quebradas, amigos perdidos, negócios por terminar e boas intenções que nunca se convertem em realidade.
A maturidade é a arte de viver na paz com aquilo que nós não podemos mudar, e a coragem de mudar o que deve ser mudado -- e a sabedoria para saber a diferença.
A MATURIDADE AFECTIVA
Observamos isto claramente no fenómeno de "fixação na adolescência" ou na "adolescência retardada". Como já anotamos, o adolescente caracteriza-se por uma afectividade egocêntrica e instável; essa característica, quando não superada na natural evolução da personalidade, pode sofrer uma "fixação", permanecendo no adulto: este é um dos sintomas da imaturidade afectiva.
- Edifica-se a vida sentimental sobre uma base pouco sólida: confunde-se amor com namoricos, atracção sexual com enamoramento profundo. Todos conhecemos algum "Don Juan": um mestre na arte de conquistar e um fracassado à hora da abnegação que todo o amor exige. Incapazes de um amor maduro, essas pessoas nunca chegam a assimilar aquilo que afirmava Montesquieu: "É mais fácil conquistar do que manter a conquista".
- Diviniza-se o amor: "A pessoa imatura - escreve Enrique Rojas - idealiza a vida afectiva e exalta o amor conjugal como algo extraordinário e maravilhoso. Isto constitui um erro, porque não aprofunda na análise. O amor é uma tarefa esforçada de melhora pessoal durante a qual se burilam os defeitos próprios e os que afectam o outro cônjuge [...]. A pessoa imatura converte o outro num absoluto. Isto costuma pagar-se caro. É natural que ao longo do namoro exista um deslumbramento que impede de reparar na realidade, fenómeno que Ortega y Gasset designou por "doença da atenção", mas também é verdade que o difícil convívio diário coloca cada qual no seu lugar; a verdade aflora sem máscaras, e, à medida que se desenvolve a vida ordinária, vai aparecendo a imagem real".(E. Rojas)
- No imaturo, o amor fica "cristalizado", como diz Stendhal, nessa fase de deslumbramento, e não aprofunda na "versão real" que o convívio conjugal vai desvendando. Quando o amor é profundo, as divergências que se descobrem acabam por superar-se; quando é superficial, por ser imaturo, provocam conflitos e frequentemente rupturas.
- A pessoa afectivamente imatura desconhece que os sentimentos não são estáticos, mas dinâmicos. São susceptíveis de melhora e devem ser cultivados no viver quotidiano. São como plantas delicadas que precisam ser regadas diariamente. "O amor inteligente exige o cuidado dos detalhes pequenos e uma alta percentagem de artesanato psicológico ".(E.Rojas)
A pessoa consciente, madura, sabe que o amor se constrói dia após dia, lutando por corrigir defeitos, contornar dificuldades, evitar atritos e manifestar sempre afeição e carinho.
- Os imaturos querem antes receber do que dar. Quem é imaturo quer que todos sejam como uma peça integrante da máquina da sua felicidade. Ama somente para que os outros o realizem. Amar para ele é uma forma de satisfazer uma necessidade afectiva, sexual, ou uma forma de auto-afirmação. O amor acaba por tornar-se uma espécie de "grude" que prende os outros ao próprio "eu" para completá-lo ou engrandecê-lo.
Mas esse amor, que não deixa de ser uma forma transferida de egoísmo, desemboca na frustração. Procura cada vez mais atrair os outros para si e os outros vão progressivamente afastando-se dele. Acaba abandonado por todos, porque ninguém quer submeter-se ao seu pegajoso egocentrismo; ninguém quer ser apenas um instrumento da felicidade alheia.
Os sentimentos são caminho de ida e volta; deve haver reciprocidade. A pessoa imatura acaba sempre queixando-se da solidão que ela mesma provocou por falta de espírito de renúncia. A nossa sociedade esqueceu quase tudo sobre o que é o amor. Como diz Enrique Rojas: "Não há felicidade se não há amor e não há amor sem renúncia. Um segmento essencial da afectividade está tecido de sacrifício. Algo que não está na moda, que não é popular, mas que acaba por ser fundamental".
Obrigado Su and friends
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Espelho, espelho meu! Existe alguém mais belo do que eu?
Nisto o Coelho ouve uma voz. Era o Chapeleiro Louco que o chamava: -Coelho Branco! Coelho Branco! E o Coelho decide ir ao encontro do Chapeleiro Louco. O Chapeleiro Louco pergunta: -Então Coelho Branco que te aconteceu? O Coelho Branco responde: -Sabes lá. Bati ali com a cabeça num pensamento que veio contra mim e parti o relógio. Já não sei às quantas ando. O Chapeleiro Louco admirado por o Coelho não andar aos saltos, convida: -Anda daí tomar um chá que isso acalma-te. E lá foram. Enquanto bebiam o chá, ouvem uma voz: -Onde está a Alice? E olham em redor e lá estava o sorriso do gato que ri pendurado na árvore. E Perguntaram-se: -Realmente onde está a Alice? Já tinham saudades de falar com ela. E decidiram ir procurá-la.
Depois de muitas voltas pela floresta. Lá ouvem uns suspiros. Aproximam-se de soslaio por trás de uns arbustos e vêem a Alice nas mãos da Raínha de Copas que lhe tilitava os prazeres. A Alice entre gemidos e tremores, muitos tremores de vez em quando ainda conseguia enviar uma sms ora à V ora à C ora à X. Nisto o Coelho Branco começa a esfregar os olhos e pergunta ao Chapeleiro Louco se estaria a ver bem. E diz: -Oh Chapeleiro Louco mas parece que o nariz lhe cresce... O Chapeleiro Louco esfregando também os olhos acrescenta: -Tens razão! Parece o... Parece o Pinóquio. Nisto ouve-se a risada do Gato Que Ri ecoar pela floresta. Mas oh Chapeleiro Louco que meteste tu no chá?
Depois de mais um cházinho o Chapeleiro Louco e o Coelho passeavam novamente pela floresta. Nisto ouviram um choro e um lamento. Aproximaram-se e deparam com o Pinóquio que deambulava com o seu enorme nariz por entre as árvores. Elas protestavam imenso pois o seu nariz batia nos seus ramos sensíveis. Mas ele pouco se importava se as magoava. De repente surge uma clareira e um lindo lago. O pinóquio acalma-se e aproxima-se para contemplar a sua imagem e por momentos até se deslumbra com sua beleza. Acaricia os músculos e o corpo e, penteia as pestanas. O seu olhar brilha de espanto ao mirar-se. Dir-se-ía enamorado. O Coelho e o Chapeleiro Louco entreolham-se espantados. E o Coelho sussura para o Chapeleiro Louco: - Oh também deste do teu chá ao Pinóquio? Mas qual Pinóquio? -Retorquiu o Chapeleiro Louco- É o Narciso. O Narciso! Tu não percebes nada de mitologia! O Chapeleiro Louco além de algo espalhafatoso era muito crítico e não compreendia muito bem quando as outras pessoas não sabiam ou viam o mesmo que ele. E algo irritado, falando mais alto, diz: É o Narciso! Garanto-te que é o Narciso! Nisto o próprio Narciso ao ouvir isto, pareceu desencantar-se com a sua imagem e diz: -Mas eu só queria ser um menino de verdade. Humano, sensível e até com emoções e consciência. E assim surge o Grilo Falante que lhe salta para o ombro e lhe sussura ao ouvido: -Atira-te! Atira-te! E o Narciso atirou-se ao lago e desapareceram os quatro.
sábado, 17 de fevereiro de 2007
Things You Said
quarta-feira, 6 de dezembro de 2006
A bela Benzodiazepina e a Ansiedade
quarta-feira, 8 de novembro de 2006
O Amor, prazer diabólico?
Por vezes, num registo muito próximo, o fascínio por alguém pode, por vezes, suscitar uma repulsa não menos forte. Por haver uma atracção muito grande por uma pessoa ou por um tipo de amor, tem-se então tendência, sob a influência deste género de medo, para repelir a situação ou o objecto da atracção.
Aquilo que é temido atrai-nos, contém um sortilégio! No âmago do medo que sentimos por uma pessoa e ou relação, existe uma atracção tão forte quanto combativa. A ambivalência que faz com que nos preocupemos com essa pessoa, que pensemos nela, mesmo que seja de uma maneira que nos assusta, coloca-nos no limiar ténue entre o medo e o prazer. As pessoas, na realidade, gostam de sentir medo, porque o medo não é puro sofrimento. Ele é um meio tranquilizador e desculpabilizador de flirtar com os próprios instintos agressivos e de desconfiança, caso nos identifiquemos como vítimas, ou ao contrário de vergonha e culpabilidade. Há portanto um prazer, difícil de qualificar que acompanha o medo.Um prazer que surge devido à presença de desejos contrários. Esta forma de medo, o fascínio-repulsa, explica-se pelo facto de o indivíduo ser irresistivelmente atraído pela relação e pela pessoa, pelo facto de a força de atracção ser tão forte e tão intensa que ele não cessa de pensar nela, mas que, por outro lado, precisamente este magnetismo, o faz sentir um medo, que raia o pânico, de se entregar e de confessar, a si mesmo e ao outro, esse amor de que se receia os estragos. Não se permite sequer que o outro nos toque. Pode até chegar-se a imaginar... o desaparecimento do outro.
Frequentemente este medo, o fascínio-repulsa, é vivido sem ser claramente identificado. Ele age então para além do conhecimento do indivíduo e orienta a sua vida sem que disso se aperceba. Assim, indirectamente, atribuímos um «carácter diabólico» ao outro, ou ao amor, para arranjarmos uma boa desculpa para não nos aproximarmos mais dele.
O amor comporta movimentos de oscilação entre duas tendências contraditórias, que levam alternadamente, a uma aproximação e a um afastamento. O que é excessivo neste medo é as duas pressões serem simultâneas, e daí sentir-se mal-estar e tensão. O medo de ser arrastado não se sabe até onde por uma relação que nos faz desejar abandonar-nos... ou fugirmos, pode chegar a gerar o conflito fazendo a pessoa armar-se de uma bateria de argumentos ora contra ora a favor dessa relação. Este medo de estar demasiado perto do outro, de se deixar tragar pela relação, de já não conseguir existir por si mesmo, de se sentir invadido, é em todo o caso medo de se prender num amor que já foi desiludido, aquele: -sim aquele!- da mãe e do filho.
segunda-feira, 16 de outubro de 2006
Autenticidade
O importante é ser autêntico, ser verdadeiro.
O homem fica completo se estiver em sintonia com o universo; se não estiver em sintonia com o Universo, então ficará vazio, completamente vazio. E desse vazio nasce a ganância. A ganância destina-se a satisfazê-lo - com dinheiro, com casas, com mobílias, com amigos, com amantes, com qualquer coisa - porque não se pode viver vazio. É horrendo, é uma vida fantasma. Se estiver vazio e não houver nada dentro de si, é impossível viver. Muita gente louca não fica em comunhão com o todo e aí a melhor forma é preencher o vazio com qualquer tralha.
O coração tem razões que a mente não consegue entender. O amor deve ser o objectivo.
domingo, 13 de agosto de 2006
I was a child till monday and now I'm only a man
quinta-feira, 8 de junho de 2006
A fuga
A cultura actual favorece a abertura para com os outros e o diálogo, ninguém dirá o contrário. Aspira-se a uma comunicação sem constrangimento. Mas todos nós verificamos dia a dia o quanto se está longe deste ideal de comunicação e transparência. No campo do amor então, algumas pessoas longe estão desta capacidade de comunicar e falar de si próprios. A comunicação no amor é muitas vezes ambígua e confusa. Muita vezes se diz uma coisa quando se queria dar a entender outra. Sendo preciso que os intervenientes estejam sintonizados no mesmo comprimento de onda, para que se entendam. Ou seja, terem energia semelhante. Muitas vezes acontece um dos intervenientes ter um abaixamento de energia e a comunicação se perder.
Tornar-se subitamente surdo-mudo parece ser a estratégia daqueles que decidiram não arriscar a pele e a identidade na lotaria do amor. Ou então, aceitaram jogar o jogo, mas utilizando certas defesas que consideram necessárias ao seu bem estar e ao seu equilíbrio. Estas defesas raramente utilizam esse nome. Muitas vezes são transformadas em acusações proferidas sem qualquer rodeio: "És demasiado invasor", "Não estou habituado a falar com ninguém de mim próprio", "Exiges demasiado", "Estou na minha bolha e ninguém entra!", "ring ring ring..........". Tantas frases que soam a avisos. "Até aqui, mas não mais longe" proclamam certos gestos, certas frases que indicam ao outro que para lá dessa fronteira qualquer intervenção poderia ser considerada um assalto à mão armada. Mas no fundo qualquer que seja a relação, age sempre sobre a personalidade de cada um, e por vezes em profundidade. Essas mudanças, algumas vezes, assustam e podem dar origem a interrupções no processo evolutivo ou pior a retrocessos saudossistas daquilo que éramos e já não somos. Sobretudo se se quer manter uma imagem de si próprio a tudo o custo que está longe da realidade. Exigindo um esforço energético suplementar e o aumentar das barreiras defensivas. As medidas que alguns tomam para se precaverem contra eventuais assaltos do amor parecem no entanto ser tão insuficientes quanto inadaptadas. As barreiras nem sempre se mantêm de pé; em compensação é raro elas não suscitarem conflitos.
À primeira vista, um sistema de defesa bem montado é tranquilizador, se bem que na realidade torne as pessoas mais ansiosas e frágeis. Com efeito, estando dependente do medo, a defesa não pode constituir uma força senão perante uma aproximação superficial. Um segundo olhar revela que se trata de um organismo fragilizado que consagra grande parte da sua energia a proteger-se.
Contra o amor só existem linhas de defesa ilusórias. As barreiras mais fortes desafiam muito simplesmente assaltos mais poderosos.
Convêm não esquecer que um sistema de defesa é uma confissão de fraqueza que, de resto, na maioria das vezes, é compreendida como tal pelos outros. Quando o amor se tem de inserir num quadro rígido, quando o outro tem direito a um espaço bem delimitado e a uma disponibilidade medida a conta gotas, quando a relação não deixa espaço algum à improvisação ou a um certo deixa-andar, e quando essa disposição frusta um dos parceiros, a guerra de trincheiras está á vista.
A reserva não é forçosamente sinónimo de dessinterese. Ela expressa com muita frequência o medo de se comprometer, de comprometer uma parte de si ao confiá-la ao outro. É mesmo aí que as defesas se mostram ineficazes, na medida em que são fácilmente assinaláveis pelo outro. Em vez de trazerem segurança ao garantirem um mínimo de vida pessoal e de identidade, aumentam o medo, sobretudo quando elas próprias são contestadas e estão em perigo. É nesta altura que é preciso puxar da caixa dos primeiros-socorros. Mas, a situação nem sempre se saneia sem alguns estragos! Muitas vezes a própria amizade entre os parceiros fica debilitada e corre risco de extinção.
terça-feira, 30 de maio de 2006
O medo do grande amor
Alguns apaixonam-se pela alma irmã encontrada casualmente, tropeçando nesse amor que tanto desejavam...
Se bem que os grandes amores, plenos de fascínio, sejam na maior parte das vezes difíceis ou contrariados, continuam a representar a consumação de um destino, a meta da existência. Ao lado desse amor tudo parece baço, inconsistente.
O fantasma do grande amor é estimulante. O medo que ele suscita, assume formas diferentes e orienta uma boa parte dos comportamentos amorosos. Este medo encontra-se escondido tão fundo, que são numerosos aqueles que declaram peremptoriamente não estarem interessados no amor ou, pelo menos, já não o estarem. É que este medo vai acumular-se a outras angústias, geradas ao longo de experiências passadas, e às quais ele se une para formar um bloco.
O apelo do amor, contudo, é tenaz. Ainda que recalcado, manifestar-se-á sob diversas formas, e, por vezes, até mesmo sem o conhecimento do interessado. A manutenção de uma relação que permita ao outro ansiar por um encontro excepcional, um gosto pronunciado por uma certa literatura romanesca, as censuras dirigidas ao companheiro, por vezes de modo repetitivo, o desejo ansioso de multiplicar as conquistas, uma agressividade acentuada no campo sexual, um estado de insatisfação mais ou menos ostensivo são, quanto mais não seja, formas negativas que esse instinto toma para exprimir quando o "acesso directo" ao grande amor se encontra bloqueado.
Porquê?
Porque, na verdade, todas essas situações advêm de uma atitude ambígua: por um lado, somos estimulados pelo desejo muito profundo de estabelecer com outro uma verdadeira relação amorosa, enquanto, por outro lado, o medo de falhar dissuade todo o comportamento que permitiria obter essa relação. Esse vaivém entre o "eu quero" e o "eu não quero" é frequentemente a causa do mal-estar experimentado na relação amorosa. Contudo, encontra-se em jogo qualquer coisa essencial de que fingimos desinteressar-nos. A parada, todavia, é demasiado alta para ser tomada de ânimo leve, visto que se trata, afinal de contas, do equilíbrio da nossa vida. Se raramente acontece morrer-se de amor, essa ideia não deixa de absorver com frequência uma boa parte da nossa energia e dos nossos sonhos.
Como explicar a dificuldade de amar e de se abandonar a uma relação amorosa franca?
Todo este oscilar entre o "sim" e o "não" alimenta a dificuldade de amar, e é a causa de numerosos mal-entendidos e de esgotantes tangos: atraímos o outro e rejeitamo-lo, aproximamo-nos dele e afastamo-nos. Esta "dança" é vivida por muita gente. Alguns vivem simultaneamente o desejo de agradar e de amar e o medo de ser tragado ou de se perder (ARIADNE!!! Onde está o fio? bolas estou todo enleado). Ou alternam períodos de paixão com momentos de repouso. A latência pode durar anos e ser ocupada de forma bastante agradável com relações menos ardentes, ou muito simplesmente com uma actividade profissional ou com amigos. Há até os novos casanovas cibernéticos...
Nem todas as pessoas estão prontas para viverem um mesmo tipo de amor, tem a ver com a evolução. Certas épocas priveligiaram formas de se relacionar que imortalizaram poemas e romances. Aquilo que era apreciado numa época podia ser perseguido numa outra. A Grécia antiga, por exemplo, valorizava a homossexualidade e fez dela a única forma de relação amorosa exemplar, tendo as práticas heterossexuais meramente uma função social reprodutora claramente dissociada do amor. Enfim, cada época criou modas que influenciaram os costumes. Mais proximo da nossa época, após a revolução sexual dos anos 60, facilitaram-se e desdramatizaram-se as relações íntimas, mas também se diminuiu a importância do amor. A instabilidade das uniões e a valorização de comportamentos amorosos mais efémeros, orientados para a camaradagem e para a satisfação sexual em si mesma (ter um caso, uma aventura, um flirt) desferiram um rude golpe no Grande Amor. Hoje é mais fácil manter relações com múltiplos parceiros, em contrapartida, é também mais fácil deixar passar ao lado do Grande Amor.
Compreende-se o medo que alguns têm de se queimarem e o medo de não suscitarem mais do que chamas ou faíscas sem brasa. Todavia, quando este medo se torna demasiado invasor extingue uma dimensão essencial do ser humano. Então, a vida encontra-se num outro lugar, mas já não existe no aqui e agora, (gera o síndroma de avestruz ou o efeito surdo-mudo). Já não ousamos entregar-nos, abandonar-nos, porque isso implica deixarmos cair a nossa carapaça, e, o que é mais inquietante, deixarmos o outro entrar na nossa vida.
Mas... o amor será sempre o amor! E amar não acaba...





