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sexta-feira, 26 de maio de 2006

Inundação Emocional

O medo e a ira.

O tálamo envia as informações que chegam ao cérebro, quer para o córtex, quer para as amígdalas límbicas. Como o caminho para estas é mais rápido (um só neurónio enquanto para o córtex a informação passa por vários neurónios e feixes), as amígdalas examinam em primeira mão os sinais exteriores. Se não constituírem sinal de alerta, a amígdala não toma qualquer acção e o córtex responderá a seu tempo. Se, pelo contrário, esses sinais parecerem de alerta, as amígdalas límbicas activam, dirigem e controlam todo o corpo (desencadeiam emoções básicas de medo ou ira).

Para tal, libertam umas substâncias, as catecolaminas, para a circulação sanguínea e alteram o estado fisiológico geral: o ritmo cardio-respiratório, a sudação, a dilatação pupilar, a tensão muscular e sua distribuição, etc. Preparam-nos para uma reacção do tipo fuga-ou-ataque, e, se tivermos possibilidade de reflectir sobre o que sentimos, este estado fisiológico alterado (resposta emocional) dará indicações a nível neural e químico que será lido pelo córtex como significando medo ou ira (sentimento).

Entretanto, as referidas substâncias são de dissipação lenta pelo que, mesmo que a reacção volte a ser controlada pelo córtex, as catecolaminas permanecem algum tempo no organismo e por isso estaremos mais vulneráveis a novas reacções emocionais de medo ou ira. Pode-se instalar um ciclo positivo de “mais catecolaminas a mais susceptível de alarme a mais reacções de alarme a mais catecolaminas ...”. Dizemos que estamos sob stress, que temos problemas psicossomáticos, ou que a criança pressionada ou maltratada é mais nervosa, receosa ou impulsiva, agressiva...

Voltemos à altura em que as amígdalas límbicas decidem dirigir a reacção de emergência, controlando todo o corpo, incluindo o córtex, pelo que as funções normais da razão podem ficar bloqueadas pela resposta emocional. Todos conhecemos os “bloqueios” que nos acontecem nas alturas menos próprias, como num exame escolar: é um bom exemplo deste fenómeno emocional denominado por “sequestro emocional”. Atendamos a que estados emocionais mais contínuos de medo ou ira podem representar sequestros emocionais mais ou menos contínuos e evidente prejuízo prolongado na aprendizagem escolar.

No entanto, é possível o controlo neuronal dos sequestros emocionais. Enquanto a amígdala límbica decide impulsivamente se deve iniciar uma resposta de alarme, o córtex pode levar mais tempo a analisar as informações mas fá-lo com muito mais dados e ponderação. Se a razão chegar à conclusão que a informação não representa a erradamente percebida situação de alerta ou que aquela reacção traz mais custos que benefícios, pode, através dos seus lóbulos pré-frontais, controlar a amígdala. Aparentemente, numa situação de sequestro emocional, estas áreas pré-frontais não ficam bloqueadas.

Uma aprendizagem útil será a educação destes lóbulos pré-frontais uma vez que são, no dia-a-dia, as áreas que permitem ponderar sobre as respostas emocionais, desencadeá-las e controlá-las, trabalhando em coordenação com as amígdalas límbicas e outros circuitos do cérebro emocional. Aqui o sentimento nasce do pensamento – pensamos antes de agir.

Eventualmente, poderá ocorrer outro fenómeno emocional neste centro: a “inundação emocional”. Imaginemos alguém inundado em pensamentos negativos recorrentes sobre determinado assunto: pensamentos que está só, que tudo corre mal, que estão todos contra si, etc, leva a sentimentos de melancolia, desesperança, desconfiança, etc. Se procurarmos entender as suas razões, são elas próprias que alimentam a inundação. A consciência estreita-se, centra-se e agudiza apenas algumas imagens, reacções, etc. (A. Damásio, 2001)