quarta-feira, 6 de dezembro de 2006
A bela Benzodiazepina e a Ansiedade
domingo, 26 de novembro de 2006
Corned Beef e a cotação da alma humana

Parece que, quanto mais "civilizados" nos tornamos mais afastados estamos do humano. Há até quem considere os outros seres humanos como meros pedaços de carne. Não percebendo que ao tomar os outros como carne se está aumaticamente a considerar a si mesmo como carne em promoção. Aí vem à tona a ancestralidade do homem de caçador e colector. Há quem queira ser caçador de troféus julgando que isso o torna maior e mais grandioso e mais admirado, nem que seja por si mesmo e pelo seu ego diminuto. Há quem viva desprovido de emoções e se remeta ao instintos básicos comuns, chegando até ao desespero de ir com a gaja da portaria ou outra presa fácil, buscando-se na superficialidade dos sentidos. Há um afastamento do ser e do sentir. Por isso, há quem prefira viver uma vida inteira neste género de entorpecimento. Vivendo de ilusão em ilusão, negligenciando a sua essência. Diria até que se o Sócrates fosse vivo reformularia a sua frase para: "I FAKE, THEREFORE I AM!"
E assim vai a cotação da alma humana...
segunda-feira, 20 de novembro de 2006
Caminho
quarta-feira, 8 de novembro de 2006
O Amor, prazer diabólico?
Por vezes, num registo muito próximo, o fascínio por alguém pode, por vezes, suscitar uma repulsa não menos forte. Por haver uma atracção muito grande por uma pessoa ou por um tipo de amor, tem-se então tendência, sob a influência deste género de medo, para repelir a situação ou o objecto da atracção.
Aquilo que é temido atrai-nos, contém um sortilégio! No âmago do medo que sentimos por uma pessoa e ou relação, existe uma atracção tão forte quanto combativa. A ambivalência que faz com que nos preocupemos com essa pessoa, que pensemos nela, mesmo que seja de uma maneira que nos assusta, coloca-nos no limiar ténue entre o medo e o prazer. As pessoas, na realidade, gostam de sentir medo, porque o medo não é puro sofrimento. Ele é um meio tranquilizador e desculpabilizador de flirtar com os próprios instintos agressivos e de desconfiança, caso nos identifiquemos como vítimas, ou ao contrário de vergonha e culpabilidade. Há portanto um prazer, difícil de qualificar que acompanha o medo.Um prazer que surge devido à presença de desejos contrários. Esta forma de medo, o fascínio-repulsa, explica-se pelo facto de o indivíduo ser irresistivelmente atraído pela relação e pela pessoa, pelo facto de a força de atracção ser tão forte e tão intensa que ele não cessa de pensar nela, mas que, por outro lado, precisamente este magnetismo, o faz sentir um medo, que raia o pânico, de se entregar e de confessar, a si mesmo e ao outro, esse amor de que se receia os estragos. Não se permite sequer que o outro nos toque. Pode até chegar-se a imaginar... o desaparecimento do outro.
Frequentemente este medo, o fascínio-repulsa, é vivido sem ser claramente identificado. Ele age então para além do conhecimento do indivíduo e orienta a sua vida sem que disso se aperceba. Assim, indirectamente, atribuímos um «carácter diabólico» ao outro, ou ao amor, para arranjarmos uma boa desculpa para não nos aproximarmos mais dele.
O amor comporta movimentos de oscilação entre duas tendências contraditórias, que levam alternadamente, a uma aproximação e a um afastamento. O que é excessivo neste medo é as duas pressões serem simultâneas, e daí sentir-se mal-estar e tensão. O medo de ser arrastado não se sabe até onde por uma relação que nos faz desejar abandonar-nos... ou fugirmos, pode chegar a gerar o conflito fazendo a pessoa armar-se de uma bateria de argumentos ora contra ora a favor dessa relação. Este medo de estar demasiado perto do outro, de se deixar tragar pela relação, de já não conseguir existir por si mesmo, de se sentir invadido, é em todo o caso medo de se prender num amor que já foi desiludido, aquele: -sim aquele!- da mãe e do filho.
sexta-feira, 20 de outubro de 2006
O Predador
segunda-feira, 16 de outubro de 2006
Autenticidade
O importante é ser autêntico, ser verdadeiro.
O homem fica completo se estiver em sintonia com o universo; se não estiver em sintonia com o Universo, então ficará vazio, completamente vazio. E desse vazio nasce a ganância. A ganância destina-se a satisfazê-lo - com dinheiro, com casas, com mobílias, com amigos, com amantes, com qualquer coisa - porque não se pode viver vazio. É horrendo, é uma vida fantasma. Se estiver vazio e não houver nada dentro de si, é impossível viver. Muita gente louca não fica em comunhão com o todo e aí a melhor forma é preencher o vazio com qualquer tralha.
O coração tem razões que a mente não consegue entender. O amor deve ser o objectivo.
terça-feira, 29 de agosto de 2006
domingo, 13 de agosto de 2006
I was a child till monday and now I'm only a man
sábado, 10 de junho de 2006
quinta-feira, 8 de junho de 2006
A fuga
A cultura actual favorece a abertura para com os outros e o diálogo, ninguém dirá o contrário. Aspira-se a uma comunicação sem constrangimento. Mas todos nós verificamos dia a dia o quanto se está longe deste ideal de comunicação e transparência. No campo do amor então, algumas pessoas longe estão desta capacidade de comunicar e falar de si próprios. A comunicação no amor é muitas vezes ambígua e confusa. Muita vezes se diz uma coisa quando se queria dar a entender outra. Sendo preciso que os intervenientes estejam sintonizados no mesmo comprimento de onda, para que se entendam. Ou seja, terem energia semelhante. Muitas vezes acontece um dos intervenientes ter um abaixamento de energia e a comunicação se perder.
Tornar-se subitamente surdo-mudo parece ser a estratégia daqueles que decidiram não arriscar a pele e a identidade na lotaria do amor. Ou então, aceitaram jogar o jogo, mas utilizando certas defesas que consideram necessárias ao seu bem estar e ao seu equilíbrio. Estas defesas raramente utilizam esse nome. Muitas vezes são transformadas em acusações proferidas sem qualquer rodeio: "És demasiado invasor", "Não estou habituado a falar com ninguém de mim próprio", "Exiges demasiado", "Estou na minha bolha e ninguém entra!", "ring ring ring..........". Tantas frases que soam a avisos. "Até aqui, mas não mais longe" proclamam certos gestos, certas frases que indicam ao outro que para lá dessa fronteira qualquer intervenção poderia ser considerada um assalto à mão armada. Mas no fundo qualquer que seja a relação, age sempre sobre a personalidade de cada um, e por vezes em profundidade. Essas mudanças, algumas vezes, assustam e podem dar origem a interrupções no processo evolutivo ou pior a retrocessos saudossistas daquilo que éramos e já não somos. Sobretudo se se quer manter uma imagem de si próprio a tudo o custo que está longe da realidade. Exigindo um esforço energético suplementar e o aumentar das barreiras defensivas. As medidas que alguns tomam para se precaverem contra eventuais assaltos do amor parecem no entanto ser tão insuficientes quanto inadaptadas. As barreiras nem sempre se mantêm de pé; em compensação é raro elas não suscitarem conflitos.
À primeira vista, um sistema de defesa bem montado é tranquilizador, se bem que na realidade torne as pessoas mais ansiosas e frágeis. Com efeito, estando dependente do medo, a defesa não pode constituir uma força senão perante uma aproximação superficial. Um segundo olhar revela que se trata de um organismo fragilizado que consagra grande parte da sua energia a proteger-se.
Contra o amor só existem linhas de defesa ilusórias. As barreiras mais fortes desafiam muito simplesmente assaltos mais poderosos.
Convêm não esquecer que um sistema de defesa é uma confissão de fraqueza que, de resto, na maioria das vezes, é compreendida como tal pelos outros. Quando o amor se tem de inserir num quadro rígido, quando o outro tem direito a um espaço bem delimitado e a uma disponibilidade medida a conta gotas, quando a relação não deixa espaço algum à improvisação ou a um certo deixa-andar, e quando essa disposição frusta um dos parceiros, a guerra de trincheiras está á vista.
A reserva não é forçosamente sinónimo de dessinterese. Ela expressa com muita frequência o medo de se comprometer, de comprometer uma parte de si ao confiá-la ao outro. É mesmo aí que as defesas se mostram ineficazes, na medida em que são fácilmente assinaláveis pelo outro. Em vez de trazerem segurança ao garantirem um mínimo de vida pessoal e de identidade, aumentam o medo, sobretudo quando elas próprias são contestadas e estão em perigo. É nesta altura que é preciso puxar da caixa dos primeiros-socorros. Mas, a situação nem sempre se saneia sem alguns estragos! Muitas vezes a própria amizade entre os parceiros fica debilitada e corre risco de extinção.




