sábado, 1 de dezembro de 2007

A COCAÍNA E O EGO


Viver em função do ego é como ser dependente de cocaína. A ideia de felicidade está na próxima conquista, assim como para os cocainómanos está no próximo risco.
É como ter o futuro sempre presente. É a previsibilidade entediante.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

O QUE TORNA UM HOMEM HUMANO?



O que torna um homem humano? - perguntou-me certa vez um amigo meu:
_Serão as suas origens?
_O modo como nasce?
Não me parece...
São as opções que faz!
Não o modo como começa as coisas, mas sim como decide acabá-las!


Os erros do passado são a sabedoria do futuro.
O que vale é a acção e não a intenção.



EQUAÇÃO DO EU
EU= acções + atitudes + comportamentos

É isto que faz de mim o que sou e não o que eu penso que sou ou o que queria ser.
Aquilo que somos não muda (está no nosso código genético), agora quem somos está em constante mutação.Tudo é movimento, e nada pode permanecer estático. Tudo flui.
É na mudança que se encontra o objectivo (Heráclito (504-501 aC))

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

indiferença / inteligência: MORAL


A minha MORAL resume-se ao respeito pela vida nas suas mais diversas formas, cores e padrões. A indiferença também. Perante as coisas e os seres e também da minha relação com eles. Gostava de ser espectador, mas sei que nunca conseguirei: sou demasiado sensível e não sou suficientemente inteligente para ser indiferente. De resto, creio que não gostaria de ser indiferente mesmo sendo mais inteligente, porque a indiferença é a inteligência antipática.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

PUSSY CAT, PUSSY CAT DON'T WALK AWAY THERE'S NO TURNING BACK


A MATURIDADE
Maturidade é a habilidade de controlar a ira e resolver as discrepâncias sem violência ou destruição.
Maturidade é paciência. É a vontade de prescindir do prazer imediato em favor de um benefício a longo prazo.
Maturidade é perseverança; é a habilidade de levar um projecto ou uma situação adiante, apesar de forte oposição e retrocessos decepcionantes.
Maturidade é a capacidade de encarar desgostos e frustrações e derrotas sem queixa nem abatimento.
Maturidade é humildade; é ser suficientemente grande para dizer: "eu estava errado"; e, quando está correcta, a pessoa madura não necessita experimentar a satisfação de dizer: "eu bem te disse".
Maturidade é a capacidade de tomar uma decisão e mantê-la; os imaturos passam suas vidas explorando possibilidades, para, no fim, nada fazerem.
Maturidade significa confiabilidade: manter a própria palavra, superar a crise; os imaturos são os mestres da desculpa, são confusos e desorganizados; suas vidas são uma mistura de promessas quebradas, amigos perdidos, negócios por terminar e boas intenções que nunca se convertem em realidade.
A maturidade é a arte de viver na paz com aquilo que nós não podemos mudar, e a coragem de mudar o que deve ser mudado -- e a sabedoria para saber a diferença.

A MATURIDADE AFECTIVA
A afectividade não está por assim dizer encerrada no coração, nos sentimentos, mas permeia toda a personalidade.
Estamos continuamente sentindo aquilo que pensamos e fazemos. Por isso, qualquer distúrbio da vida afectiva acaba por impedir ou pelo menos entravar o amadurecimento da personalidade como um todo.

Observamos isto claramente no fenómeno de "fixação na adolescência" ou na "adolescência retardada". Como já anotamos, o adolescente caracteriza-se por uma afectividade egocêntrica e instável; essa característica, quando não superada na natural evolução da personalidade, pode sofrer uma "fixação", permanecendo no adulto: este é um dos sintomas da imaturidade afectiva.
É significativo verificar como essa imaturidade parece ser uma característica da actual geração. No nosso mundo altamente técnico e cheio de avanços científicos, pouco se tem progredido no conhecimento das profundezas do coração, e daí resulta aquilo que Alexis Carrel, prémio Nobel de Medicina, apontava no seu célebre trabalho O homem, esse desconhecido: vivemos hoje o drama de um desnível gritante entre o fabuloso progresso técnico e científico e a imaturidade quase infantil no que diz respeito aos sentimentos humanos.
Mesmo em pessoas de alto nível intelectual, ocorre um autêntico analfabetismo afectivo: são indivíduos truncados, incompletos, mal-formados, imaturos; estão preparados para trabalhar de forma eficiente, mas são absolutamente incapazes de amar. Esta desproporção tem consequências devastadoras: basta reparar na facilidade com que as pessoas se casam e se "descasam", se "juntam" e se separam. Dão a impressão de reparar apenas na camada epidérmica do amor e de não aprofundar nos valores do coração humano e nas leis do verdadeiro amor.
Quais são, então, os valores do verdadeiro amor? Que significado tem essa palavra?
O amor, na realidade, tem um significado polivalente, tão difícil de definir que já houve quem dissesse que o amor é aquilo que se sente quando se ama, e, se perguntássemos o que se sente quando se ama, só seria possível responder simplesmente: "Amor". Este círculo vicioso deve-se ao que o insigne médico e pensador Gregório Marañon descrevia com precisão: "O amor é algo muito complexo e variado; chama-se amor a muitas coisas que são muito diferentes, mesmo que a sua raiz seja a mesma".

A imaturidade no amor
Hoje, considera-se a satisfação sexual autocentrada como a expressão mais importante do amor. Não o entendia assim o pensamento clássico, que considerava o amor da mãe pelos filhos como o paradigma de todos os tipos de amor: o amor que prefere o bem da pessoa amada ao próprio. Este conceito, perpassando os séculos, permitiu que até um pensador como Hegel, que tem pouco de cristão, afirmasse que "a verdadeira essência do amor consiste em esquecer-se no outro".
Bem diferente é o conceito de amor que se cultiva na nossa época. Parece que se retrocedeu a uma espécie de adolescência da humanidade, onde o que mais conta é o prazer. Este fenómeno tem inúmeras manifestações. Referir-nos-emos apenas a algumas delas:
- Edifica-se a vida sentimental sobre uma base pouco sólida: confunde-se amor com namoricos, atracção sexual com enamoramento profundo. Todos conhecemos algum "Don Juan": um mestre na arte de conquistar e um fracassado à hora da abnegação que todo o amor exige. Incapazes de um amor maduro, essas pessoas nunca chegam a assimilar aquilo que afirmava Montesquieu: "É mais fácil conquistar do que manter a conquista".

- Diviniza-se o amor: "A pessoa imatura - escreve Enrique Rojas - idealiza a vida afectiva e exalta o amor conjugal como algo extraordinário e maravilhoso. Isto constitui um erro, porque não aprofunda na análise. O amor é uma tarefa esforçada de melhora pessoal durante a qual se burilam os defeitos próprios e os que afectam o outro cônjuge [...]. A pessoa imatura converte o outro num absoluto. Isto costuma pagar-se caro. É natural que ao longo do namoro exista um deslumbramento que impede de reparar na realidade, fenómeno que Ortega y Gasset designou por "doença da atenção", mas também é verdade que o difícil convívio diário coloca cada qual no seu lugar; a verdade aflora sem máscaras, e, à medida que se desenvolve a vida ordinária, vai aparecendo a imagem real".(E. Rojas)

- No imaturo, o amor fica "cristalizado", como diz Stendhal, nessa fase de deslumbramento, e não aprofunda na "versão real" que o convívio conjugal vai desvendando. Quando o amor é profundo, as divergências que se descobrem acabam por superar-se; quando é superficial, por ser imaturo, provocam conflitos e frequentemente rupturas.

- A pessoa afectivamente imatura desconhece que os sentimentos não são estáticos, mas dinâmicos. São susceptíveis de melhora e devem ser cultivados no viver quotidiano. São como plantas delicadas que precisam ser regadas diariamente. "O amor inteligente exige o cuidado dos detalhes pequenos e uma alta percentagem de artesanato psicológico ".(E.Rojas)
A pessoa consciente, madura, sabe que o amor se constrói dia após dia, lutando por corrigir defeitos, contornar dificuldades, evitar atritos e manifestar sempre afeição e carinho.

- Os imaturos querem antes receber do que dar. Quem é imaturo quer que todos sejam como uma peça integrante da máquina da sua felicidade. Ama somente para que os outros o realizem. Amar para ele é uma forma de satisfazer uma necessidade afectiva, sexual, ou uma forma de auto-afirmação. O amor acaba por tornar-se uma espécie de "grude" que prende os outros ao próprio "eu" para completá-lo ou engrandecê-lo.
Mas esse amor, que não deixa de ser uma forma transferida de egoísmo, desemboca na frustração. Procura cada vez mais atrair os outros para si e os outros vão progressivamente afastando-se dele. Acaba abandonado por todos, porque ninguém quer submeter-se ao seu pegajoso egocentrismo; ninguém quer ser apenas um instrumento da felicidade alheia.

Os sentimentos são caminho de ida e volta; deve haver reciprocidade. A pessoa imatura acaba sempre queixando-se da solidão que ela mesma provocou por falta de espírito de renúncia. A nossa sociedade esqueceu quase tudo sobre o que é o amor. Como diz Enrique Rojas: "Não há felicidade se não há amor e não há amor sem renúncia. Um segmento essencial da afectividade está tecido de sacrifício. Algo que não está na moda, que não é popular, mas que acaba por ser fundamental".
Há pouco, um amigo, professor de uma Faculdade de Jornalismo, referiu-me um episódio relacionado com um seu primo - extremamente egoísta - que se tinha casado e separado três vezes. No cartão de Natal, após desejar-lhe boas festas, esse professor perguntava-lhe em que situação afectiva se encontrava. Recebeu uma resposta chocante: "Assino eu e a minha gata. Como ela não sabe assinar, o faz estampando a sua pata no cartão: são as suas marcas digitais. Este animalzinho é o único que quer permanecer ao meu lado. É o único que me ama".

O imaturo pretende introduzir o outro no seu projecto pessoal de vida, em vez de tentar contribuir com o outro num projecto construído em comum. Também não assimilaram a ideia de que, para se realizarem a si mesmos, têm de se empenhar na realização do parceiro. Quem não é solidário termina solitário. Ou juntando-se a uma "gatinha", seja de que espécie for.



Obrigado Su and friends

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Espelho, espelho meu! Existe alguém mais belo do que eu?


Deambulava na rede, após ter deixado a Alice à mercê da Rainha de Copas e suas concubinas e, das minhas conversas, com o Chapeleiro Louco dadas por findas, as quais outrora quase intermináveis e sem relógio, estava convicto que encontraria o coelho correndo e saltitando por entre os comuns mortais atordoados no meio de um qualquer festival no meio da planície alentejana. Mas qual não é o meu espanto que semelhante personagem se viu ao espelho e acordou. Pensou: --Eu não sou mais estes— referindo-se aos três personagens da história que no fundo se fundiam num só. Eu afinal sou um animal social que manifesta a sua natureza quando se sente em equilíbrio com o meio. Mais importante do que o auto-conceito será qual o impacto e em que se traduz a minha existência como pessoa. Não serve de muito pensarmos que somos pessoas tipo A, B ou C, se na realidade o que fica “registado” são os resultados das nossas acções. Resumindo, concluindo e baralhando... (Eu = acções + atitudes + comportamentos)
E não é que, ía ali a passar e pareceu-me vislumbrar um reflexo do Coelho Branco no meu espelho novo, cruzar-se com aquele senhor que diz umas coisas, tais como: "Eu penso, logo existo." O Coelho estancou e deixou caír o relógio de espanto e exclama: -Mas não era: Eu penso, logo sou!?
Nisto o Coelho ouve uma voz. Era o Chapeleiro Louco que o chamava: -Coelho Branco! Coelho Branco! E o Coelho decide ir ao encontro do Chapeleiro Louco. O Chapeleiro Louco pergunta: -Então Coelho Branco que te aconteceu? O Coelho Branco responde: -Sabes lá. Bati ali com a cabeça num pensamento que veio contra mim e parti o relógio. Já não sei às quantas ando. O Chapeleiro Louco admirado por o Coelho não andar aos saltos, convida: -Anda daí tomar um chá que isso acalma-te. E lá foram. Enquanto bebiam o chá, ouvem uma voz: -Onde está a Alice? E olham em redor e lá estava o sorriso do gato que ri pendurado na árvore. E Perguntaram-se: -Realmente onde está a Alice? Já tinham saudades de falar com ela. E decidiram ir procurá-la.
Depois de muitas voltas pela floresta. Lá ouvem uns suspiros. Aproximam-se de soslaio por trás de uns arbustos e vêem a Alice nas mãos da Raínha de Copas que lhe tilitava os prazeres. A Alice entre gemidos e tremores, muitos tremores de vez em quando ainda conseguia enviar uma sms ora à V ora à C ora à X. Nisto o Coelho Branco começa a esfregar os olhos e pergunta ao Chapeleiro Louco se estaria a ver bem. E diz: -Oh Chapeleiro Louco mas parece que o nariz lhe cresce... O Chapeleiro Louco esfregando também os olhos acrescenta: -Tens razão! Parece o... Parece o Pinóquio. Nisto ouve-se a risada do Gato Que Ri ecoar pela floresta. Mas oh Chapeleiro Louco que meteste tu no chá?
Depois de mais um cházinho o Chapeleiro Louco e o Coelho passeavam novamente pela floresta. Nisto ouviram um choro e um lamento. Aproximaram-se e deparam com o Pinóquio que deambulava com o seu enorme nariz por entre as árvores. Elas protestavam imenso pois o seu nariz batia nos seus ramos sensíveis. Mas ele pouco se importava se as magoava. De repente surge uma clareira e um lindo lago. O pinóquio acalma-se e aproxima-se para contemplar a sua imagem e por momentos até se deslumbra com sua beleza. Acaricia os músculos e o corpo e, penteia as pestanas. O seu olhar brilha de espanto ao mirar-se. Dir-se-ía enamorado. O Coelho e o Chapeleiro Louco entreolham-se espantados. E o Coelho sussura para o Chapeleiro Louco: - Oh também deste do teu chá ao Pinóquio? Mas qual Pinóquio? -Retorquiu o Chapeleiro Louco- É o Narciso. O Narciso! Tu não percebes nada de mitologia! O Chapeleiro Louco além de algo espalhafatoso era muito crítico e não compreendia muito bem quando as outras pessoas não sabiam ou viam o mesmo que ele. E algo irritado, falando mais alto, diz: É o Narciso! Garanto-te que é o Narciso! Nisto o próprio Narciso ao ouvir isto, pareceu desencantar-se com a sua imagem e diz: -Mas eu só queria ser um menino de verdade. Humano, sensível e até com emoções e consciência. E assim surge o Grilo Falante que lhe salta para o ombro e lhe sussura ao ouvido: -Atira-te! Atira-te! E o Narciso atirou-se ao lago e desapareceram os quatro.

segunda-feira, 19 de março de 2007

Cotação da amizade

Pois é, 2006 foi um ano de crescimento e desavenças incomparáveis. 2007 não se está a ficar atrás em termos de surpresas... Mas aprendi que afinal a amizade por vezes tem um preço, e esse preço é muito variável: para alguns 250€, para outros 375€, para outros 35€, para outros 30 minutos, para outros um favor e enfim para outros, nada. Para alguns amigos vale o abraço sincero. Contento-me com esses. Espero que não tenha de pagar alguma taxa suplementar de IRS por isso, pois desconfio que se tornará artigo de luxo em breve.

terça-feira, 6 de março de 2007

O País da Vontade


Moreno, franzino, indolente, este menino de nove anos parecia andar distante de todas as vibrações. Pegou num livro e abandonou-o sem o abrir. Colheu uma flor e deixou-a sem a cheirar. Quis passear e arrependeu-se.
_Não tenho nada que fazer, nem me apetece fazer nada- disse por fim a olhar o céu.
Nisto uma figura apareceu ao pé dele: _Acabo de ouvir uma coisa extraordinária: um menino a dizer que não lhe apetece fazer nada, nem tem nada que fazer?
_ Se é verdade, não deves surpreender-te...
_Não devo surpreender-me? E se eu te pedir que venhas comigo até ao país da vontade?
_Irei se for aqui perto.- respondeu o menino.
Desceram ambos ao pomar.
_Chegámos! É este o país da vontade.
O menino de olhos abertos, não compreendia e chegou a pensar que o seu pai endoidecera. Repara meu filho, neste botão de laranjeira. Este botão quer ser flor; depois a flor quer ser fruto. Neste país tudo tem uma vontade; tudo, neste silêncio do dia tem o propósito fundo de ser mais e ir mais além.Como a tarde quer ser noite de estrelas, e a noite madrugada gloriosa a chamar o homem para a luta. Assim, tudo aspira a progredir: nascer, evoluir, ampliar-se: viver!

A Pinheiro (meu pai em 09 dez 78)

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Things You Said



It's all to live you say
It's all to live you say
So hold until tomorrow
There's love inside
So hold until tomorrow
than you'll see why
There's nothing to hide
There's nothing to hide
Believe in yourself
You got to stop running
Said thing you denny
Sad thing you and I
Hold it back
We got to start somewhere
On a shame's ocean
Lost in the tide
I wanna swim to you
So why must you denny
That you wanna sail with me
It's all to live you say
It's all to live you say

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Life is not a spectators sport



A vida não permite ensaios. Não há segunda chance. Tudo o que fazemos permanece marcado em nós, e muitas vezes o que não fazemos também. Nos outros com quem nos relacionamos também deixamos marcas e influenciamos as suas vidas. Muitas vezes, fazemos o que achamos que é certo, fazemos o que nos é mais conveniente e nunca temos a coragem de fazer-mos o que realmente sentimos.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

size does matter?

Afinal os meus pais talvez tenham falhado em alguma coisa: não fui preparado para viver num mundo de injustiça, mentira, ódios e invejas, de chegas p'ra lá e sou melhor que tu, mais grande, enorme: _Oh p'ra mim cá em cima. Grita o animal que se diz pessoa do alto do seu pedestal auto-construído, auto-implantado. Quando afinal somos apenas meros seres infinitesimais : todos do mesmo tamanho e feitos da mesma matéria interstelar.