terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Síndroma de SPAC


Há pessoas que não conseguem ter amigos ou amigas. Ou porque nunca partilham verdadeiramente nada além da sua elaborada imagem que convem mostrar aquela pessoa, ou porque mentem muito e se autoconvencem das próprias não verdades ou porque acabam sempre por sofrer do síndroma de SPAC (saltar para a cueca). Há sempre ali uma potencial vítima em qualquer amizade que surja.

SPAC tm by MEC

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

O Parolismo


O parolismo é directamente proporcional ao número de engates básicos: vivam as hormonas ditatoriais e os seus escravos! Em alguns casos é galopante, noutros consistente e persistente e, noutros estados evolutivos torna-se recessivo. Nos estados mais primitivos, torna-se lema de vida.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

A bela Benzodiazepina e a Ansiedade


A imaturidade é muitas vezes responsável pela falta de capacidade para lidar com a ansiedade. Muita gente continua a não conseguir exteriorizar a ansiedade através das emoções, chorando ou libertando-a por exemplo através da dança. Quando digo dança digo dança livre sem qualquer outro intuito que não o de nos sentirmos livres. Dança sem regras e movimentos pré-estudados, sem ensaios, sem exibicionismos... Quem não consegue gerir a ansiedade normalmente acaba por magoar as pessoas à volta de forma violenta e agressiva, sob a forma verbal ou física.

domingo, 26 de novembro de 2006

Corned Beef e a cotação da alma humana


Parece que, quanto mais "civilizados" nos tornamos mais afastados estamos do humano. Há até quem considere os outros seres humanos como meros pedaços de carne. Não percebendo que ao tomar os outros como carne se está aumaticamente a considerar a si mesmo como carne em promoção. Aí vem à tona a ancestralidade do homem de caçador e colector. Há quem queira ser caçador de troféus julgando que isso o torna maior e mais grandioso e mais admirado, nem que seja por si mesmo e pelo seu ego diminuto. Há quem viva desprovido de emoções e se remeta ao instintos básicos comuns, chegando até ao desespero de ir com a gaja da portaria ou outra presa fácil, buscando-se na superficialidade dos sentidos. Há um afastamento do ser e do sentir. Por isso, há quem prefira viver uma vida inteira neste género de entorpecimento. Vivendo de ilusão em ilusão, negligenciando a sua essência. Diria até que se o Sócrates fosse vivo reformularia a sua frase para: "I FAKE, THEREFORE I AM!"

E assim vai a cotação da alma humana...

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Caminho

A vida não é como nós queremos que seja. A vida é como é. Assim como nós também não somos como gostaríamos de ser ou idealizamos que somos, e apenas somos como somos. Por muito que se lute e nos zanguemos com a vida e o universo, não passamos do que somos. Há pessoas que vivem uma vida inteira envergando a máscara do que gostariam de ser... pelo medo de dar parte de fracos e de serem vistos pelos outros desprotegidos, sem véus nem defesas. Mas aí sim se revela a grandiosidade do ser humano. Aí sim, se vai ao encontro da nossa essência. Aí sim, o caminho para a felicidade se abre para nós.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

O Amor, prazer diabólico?

Por vezes, num registo muito próximo, o fascínio por alguém pode, por vezes, suscitar uma repulsa não menos forte. Por haver uma atracção muito grande por uma pessoa ou por um tipo de amor, tem-se então tendência, sob a influência deste género de medo, para repelir a situação ou o objecto da atracção.

Aquilo que é temido atrai-nos, contém um sortilégio! No âmago do medo que sentimos por uma pessoa e ou relação, existe uma atracção tão forte quanto combativa. A ambivalência que faz com que nos preocupemos com essa pessoa, que pensemos nela, mesmo que seja de uma maneira que nos assusta, coloca-nos no limiar ténue entre o medo e o prazer. As pessoas, na realidade, gostam de sentir medo, porque o medo não é puro sofrimento. Ele é um meio tranquilizador e desculpabilizador de flirtar com os próprios instintos agressivos e de desconfiança, caso nos identifiquemos como vítimas, ou ao contrário de vergonha e culpabilidade. Há portanto um prazer, difícil de qualificar que acompanha o medo.Um prazer que surge devido à presença de desejos contrários. Esta forma de medo, o fascínio-repulsa, explica-se pelo facto de o indivíduo ser irresistivelmente atraído pela relação e pela pessoa, pelo facto de a força de atracção ser tão forte e tão intensa que ele não cessa de pensar nela, mas que, por outro lado, precisamente este magnetismo, o faz sentir um medo, que raia o pânico, de se entregar e de confessar, a si mesmo e ao outro, esse amor de que se receia os estragos. Não se permite sequer que o outro nos toque. Pode até chegar-se a imaginar... o desaparecimento do outro.

Frequentemente este medo, o fascínio-repulsa, é vivido sem ser claramente identificado. Ele age então para além do conhecimento do indivíduo e orienta a sua vida sem que disso se aperceba. Assim, indirectamente, atribuímos um «carácter diabólico» ao outro, ou ao amor, para arranjarmos uma boa desculpa para não nos aproximarmos mais dele.

O amor comporta movimentos de oscilação entre duas tendências contraditórias, que levam alternadamente, a uma aproximação e a um afastamento. O que é excessivo neste medo é as duas pressões serem simultâneas, e daí sentir-se mal-estar e tensão. O medo de ser arrastado não se sabe até onde por uma relação que nos faz desejar abandonar-nos... ou fugirmos, pode chegar a gerar o conflito fazendo a pessoa armar-se de uma bateria de argumentos ora contra ora a favor dessa relação. Este medo de estar demasiado perto do outro, de se deixar tragar pela relação, de já não conseguir existir por si mesmo, de se sentir invadido, é em todo o caso medo de se prender num amor que já foi desiludido, aquele: -sim aquele!- da mãe e do filho.

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

O Predador


Aquilo a que normalmente chamamos "inteligência" e "cultura" não passam de características ligadas ao aspecto predatório do ser humano, sendo portanto superficiais (estas duas características também as encontramos nas outras bestas).

Se para a biomassa, (onde se inclui o homem superficial), faz sentido definir inteligência como a capacidade de adaptação, para o homem completo acho mais adequado defini-la como a capacidade de ser feliz.

Quanto à cultura... ainda tenho de pensar mais no assunto para poder exprimir uma opinião... mas cada vez "me estou mais a cagar p'ra ela"...

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Autenticidade

O importante é ser autêntico, ser verdadeiro.

O homem fica completo se estiver em sintonia com o universo; se não estiver em sintonia com o Universo, então ficará vazio, completamente vazio. E desse vazio nasce a ganância. A ganância destina-se a satisfazê-lo - com dinheiro, com casas, com mobílias, com amigos, com amantes, com qualquer coisa - porque não se pode viver vazio. É horrendo, é uma vida fantasma. Se estiver vazio e não houver nada dentro de si, é impossível viver. Muita gente louca não fica em comunhão com o todo e aí a melhor forma é preencher o vazio com qualquer tralha.

O coração tem razões que a mente não consegue entender. O amor deve ser o objectivo.

terça-feira, 29 de agosto de 2006

pH


A basicidade do homem vê-se nas suas atitudes. Nas que toma e nas que não toma, e nas que não tem coragem de assumir que tomou.

domingo, 13 de agosto de 2006

I was a child till monday and now I'm only a man

When we are children we live moments of happyness that seems we live in a magical place. Then we grow up and our heart brokes in pieces.

sábado, 10 de junho de 2006

quinta-feira, 8 de junho de 2006

A fuga


A cultura actual favorece a abertura para com os outros e o diálogo, ninguém dirá o contrário. Aspira-se a uma comunicação sem constrangimento. Mas todos nós verificamos dia a dia o quanto se está longe deste ideal de comunicação e transparência. No campo do amor então, algumas pessoas longe estão desta capacidade de comunicar e falar de si próprios. A comunicação no amor é muitas vezes ambígua e confusa. Muita vezes se diz uma coisa quando se queria dar a entender outra. Sendo preciso que os intervenientes estejam sintonizados no mesmo comprimento de onda, para que se entendam. Ou seja, terem energia semelhante. Muitas vezes acontece um dos intervenientes ter um abaixamento de energia e a comunicação se perder.
Tornar-se subitamente surdo-mudo parece ser a estratégia daqueles que decidiram não arriscar a pele e a identidade na lotaria do amor. Ou então, aceitaram jogar o jogo, mas utilizando certas defesas que consideram necessárias ao seu bem estar e ao seu equilíbrio. Estas defesas raramente utilizam esse nome. Muitas vezes são transformadas em acusações proferidas sem qualquer rodeio: "És demasiado invasor", "Não estou habituado a falar com ninguém de mim próprio", "Exiges demasiado", "Estou na minha bolha e ninguém entra!",  "ring ring ring..........". Tantas frases que soam a avisos. "Até aqui, mas não mais longe" proclamam certos gestos, certas frases que indicam ao outro que para lá dessa fronteira qualquer intervenção poderia ser considerada um assalto à mão armada. Mas no fundo qualquer que seja a relação, age sempre sobre a personalidade de cada um, e por vezes em profundidade. Essas mudanças, algumas vezes, assustam e podem dar origem a interrupções no processo evolutivo ou pior a retrocessos saudossistas daquilo que éramos e já não somos. Sobretudo se se quer manter uma imagem de si próprio a tudo o custo que está longe da realidade. Exigindo um esforço energético suplementar e o aumentar das barreiras defensivas. As medidas que alguns tomam para se precaverem contra eventuais assaltos do amor parecem no entanto ser tão insuficientes quanto inadaptadas. As barreiras nem sempre se mantêm de pé; em compensação é raro elas não suscitarem conflitos.
À primeira vista, um sistema de defesa bem montado é tranquilizador, se bem que na realidade torne as pessoas mais ansiosas e frágeis. Com efeito, estando dependente do medo, a defesa não pode constituir uma força senão perante uma aproximação superficial. Um segundo olhar revela que se trata de um organismo fragilizado que consagra grande parte da sua energia a proteger-se.
Contra o amor só existem linhas de defesa ilusórias. As barreiras mais fortes desafiam muito simplesmente assaltos mais poderosos.
Convêm não esquecer que um sistema de defesa é uma confissão de fraqueza que, de resto, na maioria das vezes, é compreendida como tal pelos outros. Quando o amor se tem de inserir num quadro rígido, quando o outro tem direito a um espaço bem delimitado e a uma disponibilidade medida a conta gotas, quando a relação não deixa espaço algum à improvisação ou a um certo deixa-andar, e quando essa disposição frusta um dos parceiros, a guerra de trincheiras está á vista.
A reserva não é forçosamente sinónimo de dessinterese. Ela expressa com muita frequência o medo de se comprometer, de comprometer uma parte de si ao confiá-la ao outro. É mesmo aí que as defesas se mostram ineficazes, na medida em que são fácilmente assinaláveis pelo outro. Em vez de trazerem segurança ao garantirem um mínimo de vida pessoal e de identidade, aumentam o medo, sobretudo quando elas próprias são contestadas e estão em perigo. É nesta altura que é preciso puxar da caixa dos primeiros-socorros. Mas, a situação nem sempre se saneia sem alguns estragos! Muitas vezes a própria amizade entre os parceiros fica debilitada e corre risco de extinção.

quarta-feira, 31 de maio de 2006

terça-feira, 30 de maio de 2006

O medo do grande amor

Todos transportamos em nós, mais ou menos profundamente, o sonho de um grande amor. Imagens de uma amálgama de ternura e paixão, de violência amorosa e serenidade ocupam durante o dia, os nossos pensamentos, e, frequentemente, perseguem-nos durante a noite. Procura deliberada ou desejo secreto, desejamos travar o encontro que permitirá abalar a monotonia do quotidiano e viver --finalmente-- o papel mais importante da nossa vida. No ecran, ou nos livros abundam personagens que nos fazem sonhar com esse grande amor, e, cada um de nós pensa: e porque não eu? Afinal, Cupido lança as suas flechas de olhos vendados, sem ter em atenção idade, estatuto, sexo ou fortuna.
Alguns apaixonam-se pela alma irmã encontrada casualmente, tropeçando nesse amor que tanto desejavam...
Se bem que os grandes amores, plenos de fascínio, sejam na maior parte das vezes difíceis ou contrariados, continuam a representar a consumação de um destino, a meta da existência. Ao lado desse amor tudo parece baço, inconsistente.
O fantasma do grande amor é estimulante. O medo que ele suscita, assume formas diferentes e orienta uma boa parte dos comportamentos amorosos. Este medo encontra-se escondido tão fundo, que são numerosos aqueles que declaram peremptoriamente não estarem interessados no amor ou, pelo menos, já não o estarem. É que este medo vai acumular-se a outras angústias, geradas ao longo de experiências passadas, e às quais ele se une para formar um bloco.
O apelo do amor, contudo, é tenaz. Ainda que recalcado, manifestar-se-á sob diversas formas, e, por vezes, até mesmo sem o conhecimento do interessado. A manutenção de uma relação que permita ao outro ansiar por um encontro excepcional, um gosto pronunciado por uma certa literatura romanesca, as censuras dirigidas ao companheiro, por vezes de modo repetitivo, o desejo ansioso de multiplicar as conquistas, uma agressividade acentuada no campo sexual, um estado de insatisfação mais ou menos ostensivo são, quanto mais não seja, formas negativas que esse instinto toma para exprimir quando o "acesso directo" ao grande amor se encontra bloqueado.
Porquê?
Porque, na verdade, todas essas situações advêm de uma atitude ambígua: por um lado, somos estimulados pelo desejo muito profundo de estabelecer com outro uma verdadeira relação amorosa, enquanto, por outro lado, o medo de falhar dissuade todo o comportamento que permitiria obter essa relação. Esse vaivém entre o "eu quero" e o "eu não quero" é frequentemente a causa do mal-estar experimentado na relação amorosa. Contudo, encontra-se em jogo qualquer coisa essencial de que fingimos desinteressar-nos. A parada, todavia, é demasiado alta para ser tomada de ânimo leve, visto que se trata, afinal de contas, do equilíbrio da nossa vida. Se raramente acontece morrer-se de amor, essa ideia não deixa de absorver com frequência uma boa parte da nossa energia e dos nossos sonhos.
Como explicar a dificuldade de amar e de se abandonar a uma relação amorosa franca?
Todo este oscilar entre o "sim" e o "não" alimenta a dificuldade de amar, e é a causa de numerosos mal-entendidos e de esgotantes tangos: atraímos o outro e rejeitamo-lo, aproximamo-nos dele e afastamo-nos. Esta "dança" é vivida por muita gente. Alguns vivem simultaneamente o desejo de agradar e de amar e o medo de ser tragado ou de se perder (ARIADNE!!! Onde está o fio? bolas estou todo enleado). Ou alternam períodos de paixão com momentos de repouso. A latência pode durar anos e ser ocupada de forma bastante agradável com relações menos ardentes, ou muito simplesmente com uma actividade profissional ou com amigos. Há até os novos casanovas cibernéticos...
Nem todas as pessoas estão prontas para viverem um mesmo tipo de amor, tem a ver com a evolução. Certas épocas priveligiaram formas de se relacionar que imortalizaram poemas e romances. Aquilo que era apreciado numa época podia ser perseguido numa outra. A Grécia antiga, por exemplo, valorizava a homossexualidade e fez dela a única forma de relação amorosa exemplar, tendo as práticas heterossexuais meramente uma função social reprodutora claramente dissociada do amor. Enfim, cada época criou modas que influenciaram os costumes. Mais proximo da nossa época, após a revolução sexual dos anos 60, facilitaram-se e desdramatizaram-se as relações íntimas, mas também se diminuiu a importância do amor. A instabilidade das uniões e a valorização de comportamentos amorosos mais efémeros, orientados para a camaradagem e para a satisfação sexual em si mesma (ter um caso, uma aventura, um flirt) desferiram um rude golpe no Grande Amor. Hoje é mais fácil manter relações com múltiplos parceiros, em contrapartida, é também mais fácil deixar passar ao lado do Grande Amor.
Compreende-se o medo que alguns têm de se queimarem e o medo de não suscitarem mais do que chamas ou faíscas sem brasa. Todavia, quando este medo se torna demasiado invasor extingue uma dimensão essencial do ser humano. Então, a vida encontra-se num outro lugar, mas já não existe no aqui e agora, (gera o síndroma de avestruz ou o efeito surdo-mudo). Já não ousamos entregar-nos, abandonar-nos, porque isso implica deixarmos cair a nossa carapaça, e, o que é mais inquietante, deixarmos o outro entrar na nossa vida.
Mas... o amor será sempre o amor! E amar não acaba...

sexta-feira, 26 de maio de 2006

Inundação Emocional

O medo e a ira.

O tálamo envia as informações que chegam ao cérebro, quer para o córtex, quer para as amígdalas límbicas. Como o caminho para estas é mais rápido (um só neurónio enquanto para o córtex a informação passa por vários neurónios e feixes), as amígdalas examinam em primeira mão os sinais exteriores. Se não constituírem sinal de alerta, a amígdala não toma qualquer acção e o córtex responderá a seu tempo. Se, pelo contrário, esses sinais parecerem de alerta, as amígdalas límbicas activam, dirigem e controlam todo o corpo (desencadeiam emoções básicas de medo ou ira).

Para tal, libertam umas substâncias, as catecolaminas, para a circulação sanguínea e alteram o estado fisiológico geral: o ritmo cardio-respiratório, a sudação, a dilatação pupilar, a tensão muscular e sua distribuição, etc. Preparam-nos para uma reacção do tipo fuga-ou-ataque, e, se tivermos possibilidade de reflectir sobre o que sentimos, este estado fisiológico alterado (resposta emocional) dará indicações a nível neural e químico que será lido pelo córtex como significando medo ou ira (sentimento).

Entretanto, as referidas substâncias são de dissipação lenta pelo que, mesmo que a reacção volte a ser controlada pelo córtex, as catecolaminas permanecem algum tempo no organismo e por isso estaremos mais vulneráveis a novas reacções emocionais de medo ou ira. Pode-se instalar um ciclo positivo de “mais catecolaminas a mais susceptível de alarme a mais reacções de alarme a mais catecolaminas ...”. Dizemos que estamos sob stress, que temos problemas psicossomáticos, ou que a criança pressionada ou maltratada é mais nervosa, receosa ou impulsiva, agressiva...

Voltemos à altura em que as amígdalas límbicas decidem dirigir a reacção de emergência, controlando todo o corpo, incluindo o córtex, pelo que as funções normais da razão podem ficar bloqueadas pela resposta emocional. Todos conhecemos os “bloqueios” que nos acontecem nas alturas menos próprias, como num exame escolar: é um bom exemplo deste fenómeno emocional denominado por “sequestro emocional”. Atendamos a que estados emocionais mais contínuos de medo ou ira podem representar sequestros emocionais mais ou menos contínuos e evidente prejuízo prolongado na aprendizagem escolar.

No entanto, é possível o controlo neuronal dos sequestros emocionais. Enquanto a amígdala límbica decide impulsivamente se deve iniciar uma resposta de alarme, o córtex pode levar mais tempo a analisar as informações mas fá-lo com muito mais dados e ponderação. Se a razão chegar à conclusão que a informação não representa a erradamente percebida situação de alerta ou que aquela reacção traz mais custos que benefícios, pode, através dos seus lóbulos pré-frontais, controlar a amígdala. Aparentemente, numa situação de sequestro emocional, estas áreas pré-frontais não ficam bloqueadas.

Uma aprendizagem útil será a educação destes lóbulos pré-frontais uma vez que são, no dia-a-dia, as áreas que permitem ponderar sobre as respostas emocionais, desencadeá-las e controlá-las, trabalhando em coordenação com as amígdalas límbicas e outros circuitos do cérebro emocional. Aqui o sentimento nasce do pensamento – pensamos antes de agir.

Eventualmente, poderá ocorrer outro fenómeno emocional neste centro: a “inundação emocional”. Imaginemos alguém inundado em pensamentos negativos recorrentes sobre determinado assunto: pensamentos que está só, que tudo corre mal, que estão todos contra si, etc, leva a sentimentos de melancolia, desesperança, desconfiança, etc. Se procurarmos entender as suas razões, são elas próprias que alimentam a inundação. A consciência estreita-se, centra-se e agudiza apenas algumas imagens, reacções, etc. (A. Damásio, 2001)